21 dezembro 2010

União desvia R$ 43 bi de fundo de telecomunicação

21/12/2010 - 03h00

DE SÃO PAULO

O governo usou para financiar seu deficit R$ 43 bilhões da área de telecomunicações que deveriam custear a fiscalização do setor, o desenvolvimento de pesquisas e a oferta do serviço telefônico à população de baixa renda e em locais remotos, informa a reportagem de Elvira Lobato publicada na edição desta terça-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Segundo dados do próprio governo, desde 97 foram arrecadados R$ 48 bilhões em três fundos públicos do setor: Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações) e Fistel (Fundo de Fiscalização das Telecomunicações).

Apenas R$ 4,9 bilhões (cerca de 10% do arrecadado) teve a destinação prevista, e 90% estão retidos no Tesouro Nacional para financiar as contas públicas. A cifra equivale à soma dos Orçamentos previstos para 2011 dos Estados de Maranhão, Pernambuco e Piauí.

Segundo as companhias telefônicas, as taxas de contribuição para os fundos são repassadas ao consumidor, nos preços dos serviços.

FISCALIZAÇÃO

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) queixa-se de falta de recursos para a fiscalização. Pela lei, o Fistel deveria custear as necessidades da agência, mas não é o que ocorre. Em 2009, enquanto o Fistel arrecadou R$ 4,9 bilhões, a Anatel teve seu orçamento reduzido de R$ 397,6 milhões para R$ 335 milhões.

18 julho 2010

TELESINTESE - WEB - 02/07/10

TELESINTESE - WEB - 02/07/10
Por Renato Osato
O cenário de telecomunicação no Brasil está evoluindo e as operadoras de redes móveis virtuais (MVNO, da sigla em inglês) serão em breve uma realidade no Brasil. Segundo projeções conservadoras da Signals Telecom Consulting, o crescimento no mercado brasileiro deve representar 9,5 milhões de assinantes e receita de R$ 1,8 bilhão nos próximos cinco anos. Este é um mercado que não pode ser ignorado.

As MVNOs não devem ser encaradas como meros concorrentes para as operadoras tradicionais. As MVNOs deveriam ser vistas como aliadas na busca de rentabilidade em nichos de mercado. A Virgin, por exemplo, faz sucesso entre os jovens franceses, segmento em que a Orange, operadora que cede a rede para a MVNO, não ia muito bem. Já que grandes nomes poderão ter sua própria marca de celular, como famosos da TV (alguns artistas como a Xuxa já foram usados para ofertas segmentadas), grandes varejistas (que já representam um importante canal de vendas, como Carrefour, Wall Mart, etc), canais de televisão (Globo, etc) e até mesmo clubes de futebol e igrejas de diversas religiões; as operadoras precisam começar a repensar seu modelo e buscar formas de aproveitar esta nova possibilidade de negócio. A experiência mostra que existem oportunidades importantes de aumento de penetração e receita, e redução de custo para as operadoras que adotam o modelo de MVNO.

Por exemplo: o sucesso de uma MVNO está atrelado aos diferenciais de marketing que serão desenvolvidos para atrair e reter os clientes; além de flexibilidade e agilidade para implantar novos produtos e serviços; e principalmente, uma estrutura de custo enxuta. Conclusão: a MVNO atua como um departamento de marketing da operadora, focado em conseguir o máximo de rentabilidade daquele nicho específico, com custo reduzido para a operadora.

Está se formando um novo mercado. Reino Unido (13%), Estados Unidos (6,51%) e França (6%), estão entre os países com maior market share de MVNO, seguindo os dados da Signal Telecom Consulting. Isso demonstra a viabilidade do modelo quando bem aplicado. Um case relevante é o da Effortel, MVNE que suporta o MVNO do Carrefour da Bélgica: com um pequeno grupo de Marketing, é possível planejar e executar, em um espaço de tempo de 2 a 3 dias em vários casos, campanhas de mobile marketing em suas lojas. Eles se utilizam de um mix de ações de marketing que vão desde a inserção de propagandas nas 9 milhões de malas diretas enviadas semanalmente aos clientes, SMSs com promoções exclusivas e instantâneas, até cupons fiscais que mostram quantos minutos de chamada poderiam ser ganhos caso o cliente gastasse mais 1 Euro na loja.

Tal mercado exige novos tipos de soluções tecnológicas e de suporte ao negócio. A Amdocs possui as plataformas de prestação e gestão de serviços que permitem que o MVNO se torne realidade. Dois modelos são possíveis: a) fornecer o sistema na forma de investimento ou; b) fornecer um serviço, ou seja, um "business process outsourcing" (BPO). Em uma segunda onda, na qual os clientes demandarão formas mais inteligentes e cheias de imaginação para se manterem fiéis, a Amdocs tem soluções para ajudar as empresas a obter insights e "fidelizar" seus clientes: portais personalizados e interativos, móveis e/ou tradicionais.

Para as operadoras mais reticentes com a mudança de mercado, vale lembrar que a MVNO atrairá clientes. Alguns serão da própria Operadora, alguns novos, mas também receberá clientes de outras Operadoras. O churn de um cliente de uma Operadora para uma de suas MVNO é infinitamente melhor que o churn para os concorrentes.

Renato Osato é o principal executivo da Amdocs no Brasil.

Área técnica da Anatel propõe reduzir VU-M em 55%, em cinco anos.

TELESINTESE - WEB - 02/07/10
Por Lucia Berbert e Miriam Aquino
A área técnica da Anatel fechou uma proposta de redução escalonada da VU-M (tarifa de interconexão da rede móvel) que deve ser apresentada em breve ao Conselho Diretor. Pela proposta consensual das superintendências Executiva, de Serviços Públicos e de Serviços Privados, a VU-M, que foi responsável em grande medida pela universalização da rede móvel com recursos transferidos pela rede fixa, vai sofrer uma redução de 55% em cinco anos, de acordo com matéria publicada hoje pela newsletter Tele.Síntese Análise.

A proposta prevê redução escalonada do VC1 (veja tabela) e consequente redução da VU-M. Assim, a VU-M sairia do teto de R$ 0,40, em 2010, para R$ 0,186, em 2015. Para as empresas vinculadas às concessionárias com Poder de Mercado Significativo (PMS), a redução da tarifa de interconexão será 10% maior em cada ano. Também ficou acordado que nas ligações de longa distância fixo/móvel (VC-2 e VC-3), o fator de transferência será de 30%, e não de 20%.

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